Tuesday, January 25, 2005

Não havia necessidade

Mais vale uma lampreia na mão do que umas perdizes a voar. Sobretudo se for bem regada, desta feita com uma Reserva da Quinta de Roriz 2000, para tirar teimas. Quando as perdizes finalmente aterraram na caçarola, tinha-se passado para o Quinta dos Quatro Ventos outra vez. E depois não queremos fazer dieta... Ah!, e antes que me esqueça, o Vintage 2000 da Ferreira também estava bom. Aliás como todos os desse ano. E mais palavras para quê? O desempate da conta favoreceu os da casa, em honra dos de Carção.

Saturday, January 22, 2005

A Quinta de Roriz

O Sr. Silveira estava à nossa espera como combinado e acompanhou-nos pelas instalações da Quinta. Tinha preparado por indicações da Senhora Doutora a prova do tinto reserva de 2001 e do vintage de 1999. Ambos impressionantes, embora o tinto lutasse contra a temperatura fria do dia. Ganhou o vintage a preferência das provas. Um vintage entusiasmante, dos melhores que tenho memória. Animados pelas descrições das vinhas e dos trabalhos da vindima não sobrou muito na garrafa. O caminho de descida para a Quinta só por si já tinha valido a visita, e mesmo sendo apropriado para um todo terreno, fez-se bem com um carro vulgar. A subir, e depois das provas, fez-se ainda com menos preocupações. Os vinhos da Quinta estão no bom caminho da qualidade e vão continuar a merecer prémios como os que têm tido em anos anteriores, a ajuizar pela boa crítica que tenho lido. Vontade não falta de voltar para a época das vindimas. Quanto ao resto do programa do dia, e pela parte que se pode contar, depois de descer ao Pinhão, foi boa a posta de vitela maronesa no Vintage House. Mas memorável mesmo foi a sesta retemperadora que se seguiu à missa do Pe. Meireles antes do jantar da confraria.

Thursday, January 20, 2005

A lampreia

Love it or leave it, não há meio termo. Esta, a primeira da temporada, estava excelente. Nem vinagre a mais nem sabor a menos. E condizia às mil maravilhas com o Reserva da Quinta dos Quatro Ventos 2001 das Caves Aliança. Por acaso, um grande vinho, emparelhado com os melhores da nossa produção. Quem diria. Dos produtores de Sangalhos. Para a próxima semana ficaram agendadas umas perdizes das sérias. Mas se houver dúvidas sobre a autenticidade das mesmas, penso que me refugio outra vez na lampreia, que agora parece que há todos os dias, mesmo sem que o senhor da Casa Gallega saiba que muito provavelmente vêem de viveiros franceses e não dos rios da fronteira minhota.

Wednesday, January 12, 2005

A corte celestial

Sentaram-se ao fundo, em mesa redonda, sobre as árvores do Parque. Não faltava nenhum dos antigos. Levantavam-se em cerimónia coordenada para a mesa dos salgados e, no fim, dos doces. Qual deles faria anos? Cumprimentei apenas um, a quem devo muita estima, e que retribuiu os cumprimentos. Não o via há muitos anos e a idade passara para todos. De todos recebi lições, e de algum deles até fui Assistente. Ali, na clássica grande sala de jantar do Ritz via-os agora como dantes no Anfiteatro 1. Longe e equidistantes - de mim e dos demais pares.

Thursday, January 06, 2005

«Queria aqui dizer, faz favor...»

38. Afinal não tive que vender o meu carro para pagar a conta do almoço. Mas foi por pouco. Quase tive de convencer o escanção a abrir falência também. Alión 2000, para acompanhar o prato principal. Uma novidade, que vem referenciada como das mais cotadas añadas da casa. E para terminar um Vintage 2000 da Ramos Pinto. Tudo em copos e também serrviço a condizer. Ainda vou ter que optar por um familiar em vez de um carro a sério como deve ser. Logo hoje, que se receberam as primeiras propostas.

Sunday, January 02, 2005

Chuva quente

Terá sido também a Iemanjá que enviou a chuvada que me apanhou no meio do buraco 5. A paragem forçada dentro do carrinho não estragou o bom score de todo o percurso. Estava era longe de prever que o dia de amanhã viria a ser de dilúvio. Uma molha completa, da saída do hotel até à entrada no avião. Com uma banda de trompetes e tambores e um grupo de capoeira à chuva para despedida, em frente ao avião, na placa do aeroporto. Depois, de Congonhas para Guarulhos a correr, esqueçem-se as saudades mas não a vontade de regressar. Até para o ano, talvez.

Saturday, January 01, 2005

Iemanjá

A adorada musa dos ritos baianos encheu-se da abundância da nossa festa com flores brancas e taças de espumante francês. O espectáculo de fogo de artifício durou por muito tempo. As rosas terminaram no mar com desejos formulados e os tambores regressaram da areia para mais um espectáculo de percursão no pavilhão do jardim. A areia branca molhada passava dos tornozelos. Cumpriu-se mais um ritual da «virada». Faltaram as romãs de anos anteriores. «Nossa, a comer tanta romã, você vai virar milionário...» disse-me uma senhora de São Paulo na festa anterior.

Friday, December 31, 2004

Ocean Course

«Joga tranquilo, Seu José» dizia o Reinan a quem começava o percurso. «Hoje vai ter sorte». «Vai jogar bem». Mais filosófico, o responsável do campo acalmava a irritação dos jogadores com a enigmática afirmação de que o sucesso vem com a acumulação de erros. Tranquilo... As melhores sombras da região estão por debaixo das palmeiras no meio deste fairway. A areia é toda branca e ao fim do tarde a linha do litoral perde-se de vista com o espumar das ondas. E todo o mundo tem «bolinha», a dois reais. «Seu José, olha aqui meu presente de ano novo pra você - pra botar no Audi...» No Audi?

Wednesday, December 29, 2004

O Samba nasceu na Baía

A Dadá dá cabo da gente. Responsável por um marco da restauração do Pelourinho, encarregou-se de me levar de braço dado pelo bufett enchendo-me o prato com as sugestões dela mesma. Não faltava nada, tudo em nomes a condizer. Impossível relatar. Sobretudo pela morrinha trazida da picanha repetida debaixo das palmeiras na praia e das caipirinhas tomadas ainda antes de sair da areia. Não fosse isso e a noite teria ficado para a história. Acabou por ser original, com direito a dormir com a Simone a cantar ao lado de viva voz. Venceu o sono do dia começado de madrugada ainda noite escura em São Paulo.

Thursday, December 23, 2004

«O Augueiro»

Morreu o Cindo. Deu-lhe uma dor forte mas em vez de ir ao médico, foi para a feira. Lembro-me vagamente dele ainda do tempo da feira do gado em que juntamente com o pai vendiam as vacas mais famosas da região. Hoje a feira do gado é pequena e o mercado antes do Natal tem pouca expressão. Mas sobrou o Hostal dos boeieiros, em frente às Águas de Sousas, tal como era no tempo do gado que pelo meio do Larouco era levado para Padornelos para trabalho e criação. Hoje, já menos de metade dos comensais come com a boina galega na cabeça e alguns nem sequer comem a carne de vitela ou o polvo à feira. Eu comi o polvo com batatas, em tudo igual ao polvo das tábuas, mas servido em cima de batatas cozidas com azeite e pimentão picante. Com uma garrafa de Ribeiro Viña Costeira ao lado, estava melhor do que me lembrava que podia ser. Foram duas travessas.

Wednesday, November 17, 2004

O Onze Perfeito

Ao cimo do Parque.

Saturday, November 06, 2004

«Flor Preservada»


Colho, maravilhado,
A flor do teu sorriso;
E tudo à minha volta
Se transfigura:
O céu é um mar azul onde navegam aves;
E as montanhas, suaves
Ondulações
Do grande berço maternal do mundo.
Perturbado,
Confundo
As sensações;
E apenas sei que a vara de condão

É o sol de pétalas que me aquece a mão.

Miguel Torga, in Diário VIII, 16 de Outubro de 1958

Monday, November 01, 2004

O Chefe Inglês

Tirar um dia de férias em trânsito em Londres merecia melhor sucesso. Desconfiei da marcação telefónica com sotaque italiano ou outro que me informou que não necessitava de gravata mas deveria usar casaco. «You do not need to worry», foi o que me ocorreu. Quem não me conhece não sabe dos meus hábitos. Almoçar no novo restaurante do Gordon Ramsay no Claridge era o que me levava a esperar por uma conexão tardia a partir de Gatwick. Pois parecia uma anedota dos tempos de escola - um chefe inglês, serviço francês e organização italiana. Ninguém me mandou almoçar sozinho. Vou esquecer os pormenores por decoro. Mas nunca tinha estado em restaurante tão sofisticado em que os gritos de ira do chefe atravessassem a copa e chegassem em bom nível ao fundo da sala de jantar. Em suma, muita parra, pouca uva. Não ficou gorjeta. Para esquecer só mesmo o meu stand favorito na Berkeley Square, um quarteirão abaixo.

Saturday, October 30, 2004

Trabalho de casa


Não saibas: imagina...
Deixa falar o mestre, e devaneia...
A velhice é que sabe, e apenas sabe
Que o mar não cabe
Na poça que a inocência abre na areia.

Sonha!
Inventa um alfabeto
De ilusões...
Um a-bê-cê secreto
Que soletres à margem das lições...

Voa pela janela
De encontro a qualquer Sol que te sorria
Asas? Não são precisas:
Vais ao colo das brisas,
Aias da fantasia...

«INSTRUÇÃO PRIMÁRIA»
Miguel Torga in Diário IX (18 de Abril de 1962)

Friday, October 29, 2004

Outra vez

De regresso às provas, calhou agora o Esporão branco Private Selection. Uma óptima surpresa. Com 14 graus e sabor a fruta doce, as duas garrafas a acompanhar o linguado frito à basca foram um exagero. Tal como o foi o Quinta do Noval Vintage 2000 a terminar. Muito melhor que o Silval 2000 provado há questão de dias atrás. Este Noval «sabia a morcela»? Era óptimo, e com a surrealidade que invade o quotidiano, tanto dá. A conta, essa sim, da terceira dimensão, parecia incluir o valor do trespasse do estabelecimento.

Wednesday, October 27, 2004

A prova

Não deveria ter acontecido. Almoçar sem qualquer razão com um Vale Meão de 2001 não deveria ter acontecido. Ainda por cima com um pregado frito com açorda de ovas. Mas fica a confirmação: é o melhor da praça. Mais uma prova na primeira oportunidade, de qualquer maneira, não irá fazer mal a ninguém. Quod abundat non nocet.

Tuesday, October 26, 2004

Ballad of the fallen

A Carla Bley salvou-me a noite de ontem. Envelhecida mas com a mesma aparência de sempre. A banda tocou meia dúzia de temas que passavam pelo «Amazing Grace» e terminaram com o Samuel Barber. Há dez anos, por ocasião da renovação do Tivoli tocou cá em Lisboa em grande estilo com a sua própria banda. Nem a filha conseguiu então estragar-lhe o concerto. Ontem quem lá estava mesmo era o Charlie Haden com a sua gente (incluindo o Bill Frisell?) e no final ondulou a faixa da Liberation Music Orchestra. Trinta anos depois dos 70. Em 2004, ao que parece numa zona tradicional agrícola de França.

Thursday, October 21, 2004

Umas crianças

É o que todos somos, afinal. No Terreiro do Paço, com a nova governação, não se lamenta a anterior gestão. A ementa recupera a antiga carta do chefe e difere das anteriores no mesmo local. O peixe galo estava óptimo e até o Sauvignon Blanc dos Lavradores de Feitoria ia bem a acompanhar. Saudades tenho das sobremesas da Bela Vista, sobretudo do pudim de ovos envolvida em folha crocante. Já quanto ao Presidente da Comissão, não sabe nem ao que vai. Somos todos da mesma idade. A que tínhamos à entrada da Faculdade.

Friday, October 15, 2004

It's good to be the King

O segundo Vale Meão ainda era melhor que o primeiro. E mantinha à distância o Syrah de 97 do José Bento dos Santos que mal serviu para aquecer. Para já não falar do branco da Borgonha que ficou apenas para as Senhoras. O Meão de 2000 não se confunde e continua a ser o campeão dos novos. A carne rendeu-se. Depois veio um creme de maracujá e bolo de laranja. Balvenie de 21 anos envelhecido em cascos de Porto, a música da Eliane Elias e a projecção em grande formato de um DVD com vozes da Concord. Não regresso sem programar a viagem com uma volta por Capetown, com ou sem passagem pela Namíbia.

Wednesday, October 13, 2004

The extra mile

O Armando João tem por missão não deixar que os investidores percam tempo antes de assinar os compromissos que anunciaram cumprir. Os papéis lá estavam prontos para assinar em cima da mesa à minha espera. Mesmo com uma quebra de energia a meio da reunião, reiterou o empenho quanto aos investimentos. Um novo modelo de obras públicas, com o patrocínio do Director Geral.

Sunday, October 10, 2004

Regresso

Foi necessário cá voltar para regressar às crónicas. Na bagagem para companhia vieram alguns episódios do Black Adder e algumas novidades de música recente. O Ben Harper com os Blind Boys of Alabama, pelas afinidades. Também o Nick Cave com os Bad Seeds. Esqueceu-me o último do Jarrett na aparelhagem de casa. A vida continua. «All is in the game».

Monday, July 26, 2004

Colegas

O sotaque do encarregado do restaurante do hotel não enganava. Tinha sido, afinal, meu colega de liceu. Agora, depois de viagens por vários restaurantes e hotéis do mundo, ficava-se por aqui e mostrava fotografias dele, da mulher e até de amigas locais para ver se eu me lembrava de quem ele era. Melhor história só a do passaporte perdido por ter caído para dentro da mala e esta se ter fechado no check-in. Há gente para tudo em todo o lado.

Saturday, July 24, 2004

Cabeças pequenas

A rapariga da loja do hotel só aceita notas de dólar com as cabeças grandes. As outras não. Nem o correspondente em Washington que coincidia no almoço em casa de bons amigos sabia bem porquê. Estava a caminho de férias perto de Lisboa, mas ainda ficará por cá para dar mais uns cursos de jornalismo durante a próxima semana no interior do país. Apesar do almoço com muitas especialidades diferentes e óptimos vinhos sul-africanos (na próxima viagem vou tentar regressar por Capetown e visitar as regiões viticolas) continuo a tentar o inverso do que predestinava o velho Deodato para quem as viagens serviam apenas para regressar com menos dinheiro e mais uns quilos.

Thursday, July 22, 2004

Back to business

Outra vez por cá. Agora para saborear umas alfaces cultivadas na zona, um mero frito com banana também frita e abacates batidos com sabe-se lá o quê. E lagostas, como de costume. É Inverno e está fresco à noite, agradável durante o dia para quem cumpre o protocolo ocidental do vestuário. Reuniões com salas cheias, relatórios e mails, em suma, compromissos para todo o Verão que começa com o vôo de regresso. Os americanos ofereceram pizzas e coca-colas a todos os nossos trabalhadores. Não dá para acreditar.

Monday, July 19, 2004

Sotogrande

O escaldão do sol do meio dia não perdoa. Mas não havia escolha. Era o campo ou a piscina. Sim, porque o Spa... Já bastaria depois a noite, na marina em frente aos barcos, com os veraneantes dos nossos dias a passear, para encerrar o fim de semana. Em suma, foi um shot de férias: companhia, kilómetros de distância, boa gastronomia, umas tacadas e tempo bom ou mau ou diferente.

Saturday, July 17, 2004

Hacienda Benazuza

Às portas de Sevilha, em Sanlúcar la Mayor, come-se o melhor jantar de toda a vida. O La Alquería integra-se no hotel que em séculos idos foi convento e agora alberga em estilo andaluz com jardins mouriscos os hóspedes que o podem pagar. Trata-se de uma experiência derivada do sucesso do El Bulli a norte de Gerona e serviu para colmatar a falha de há precisamente um ano, quando a minha reserva no restaurante do Mestre Adriá me foi recusada durante mais de um mês sem descanso para o período da minha estadia em Peralada. Pois desta vez, para desforra e sem hesitações, escolhemos o menú de degustación. Ainda hoje não sei ao certo o preço por pessoa. Quanto à ementa, parei de contar e de memorizar quando veio o melão grelhado, a que se seguiram a santola com horchata de trufas, ou as migas com trufas de verão, ou o atúm gratinado com maionaise do próprio atúm, já não recordo. O ritmo do serviço fez-me perder a memória dos pratos principais e da sequência de entradas, e ainda bem que de manhã pedi que me imprimissem a lista do menú, onde finalmente contei as vinte e quatro linhas da ementa. Recordo sim a gelatina de água de tomate com melancia e espuma de salsa (será possível?) e o atrevimento do chefe que decidiu por sua conta saltar o pré-postre e mandar-nos para a zona da tenda árabe da piscina, onde já não cheguei depois de passar no jardim com camas espalhadas a coberto das copas das árvores baixas. No dia seguinte, comer os montaditos da praxe no Pátio de San Elói foi como continuar a jornada pela Andaluzia trocando um confortável Bentley por um velho Land Rover daqueles que aquecem e gripam os motores. Por falar em Bentley...

Wednesday, July 14, 2004

Mais uma vez o Novo Mundo

O Tapada do Barão 2001, do Monte dos Perdigões é um ganda vinho tinto! Nem precisava do acompanhamento da paletilha de cabrito de leite para se valorizar. Tudo por recomendação do sommelier do sítio do costume. Não há já paciência para os vinhos minerais, ácidos, pretensamente com «terroir» e leves. Quem quiser, que beba água. Também há outras preferências plenamente justificáveis e defensáveis, como por exemplo as dos entusiastas dos encierros de San Fermin em Pamplona que durante dois minutos e meio tentam salvar a pele correndo no meio dos touros. Se o Zé, empregado do Padre Augusto em Padornelos visse na televisão as imagens do fim de semana, diria com certeza: «Ele, há-os!»

Monday, July 12, 2004

Velhos Amigos

Eram 146 no total. No início parecia que se tratava de uma outra festa, ou de outro curso, ou de um engano da convocatória. Não. A multidão de desconhecidos na varanda do restaurante em Monsanto era a mesma que muitos anos antes estava sentada nas bancadas ou no escadaria dos auditórios da Faculdade. A Clássica, como na altura todos lhe chamávamos. Ao meu lado, uns magistrados, um apresentador de televisão, outros menos familiares, uns mais velhos ou mais gordos, ou casados ou divorciados ou com crianças. O ciclo da vida. Mais violento foi já nesta Segunda-feira ouvir o Zé dizer que vai fechar. Com a mesma calma com que terá amealhado os ganhos da venda de todo o prédio em que se instalou durante 40 anos, está agora a vender a preço mais moderado algumas garrafas de bom vinho. Outras, as melhores, assegura que não se vão estragar. Até ao próximo dia 31, lá estará na mesma, com a família, a servir os melhores grelhados do Concelho. Depois, e em proveito da voragem imobiliária, será preciso ir procurá-lo na Linha, com vista para o mar, a gozar o resto da sua própria boa vida.

Friday, July 09, 2004

Casa Gallega

A boa cozinha deste restaurante em Paço de Arcos está a par da garrafeira com as últimas e mais notáveis novidades. Desta feita, e a propósito de um reencontro com o Quinta da Touriga-Chã (oh! «suavis anima»...) tocou a vez a umas perdizes meio escabechadas. Aqui fica, solene, a homenagem aos autores - das perdizes e do vinho.

Thursday, July 08, 2004

Crazy

O primo Júlio é uma referência da colheita de uma geração. Produz o último dos vinhos do lavrador da família, «sumos de uva» fortes e desregrados como os transmontanos da terra quente. Trata das terras de alguns amigos e parentes e foge da mulher como o diabo da cruz. Bem diferente é o Iglésias que ontem se confessou no Estoril perante uma assistência comparticipante e conivente. «Já não canto por dinheiro: dinheiro tenho a mais... e tudo o que quero comprar é barato!». O vinho do primo Júlio também não está à venda. Mas bom e barato é o novo vinho da Adega de Valpaços, que à semelhança do ano passado lançou um conjunto de garrafas pequenas de vinhos diferentes. De resto, e ao invés do que se passa nos casinos de todo o mundo, as coisas boas da boa vida encontram-se onde menos se espera.

Sunday, July 04, 2004

Venham os pardais

O Zagorakis adaptou-se como quis à nova situação. Substituiu o gato de aluguer que tinha sido enviado por senhora amiga e que não sobreviveu à pressão das amizades infantis. Deste, nem se lhe guardou o nome. A angústia foi superior. Não se libertou o suficiente do desafio e em pouco estava de novo confinado às sortes que conhecia. Já o novo campeão, não. Baptizado por respeito à sua condição estranha, reagiu com a confiança e o à-vontade de quem ganha novos títulos. Instalou-se e fez da casa nova o seu próprio campo. Só descansou depois da barriga cheia.

Saturday, July 03, 2004

A Senhora da Oliveira

O Francisco, quarto filho de bons amigos de sempre, foi baptizado no centro histórico de Guimarães. A festa seguiu nas cercanias de Braga, em Esporões, na quinta da família, com serviço à antiga, entradas para todos os gostos e o vinho verde tinto da casa engarrafado para a ocasião, para animar o ambiente. Outro vinho da família, também verde mas branco, o Quinta das Ermízias, floral, sem acidez, acompanhou bem e com surpresa o bacalhau minhoto que seguiu. No fim, os pudins e os doces de ovos atrasaram o regresso a casa.

Friday, July 02, 2004

O Parque do Palace

Não tem comparação com nada jogar no golfe de Vidago. Esquilos, árvores centenárias e este aroma das tílias ninguém mais tem. Depois, a sombra que ladeia o regato que atravessa entre muros o percurso baixo, confirma que este é um destino impar da boa vida. Desde a Páscoa acresce a melhor imperial da Europa, no recém inaugurado clubhouse que faz inveja ao acolhimento que já experimentei no Dromoland Castle na região do Shanon. Melhor, só terminando o dia com um jantar no Hotel Rural de Samaiões. Problemas como ter que terminar sozinho o costeletão para duas pessoas acompanhando com o vinho da casa não são nada comparado com o desafio dos buracos 5 e 6 do percurso de Vidago, nos quais o handicap não tem apenas o significado de poder bater mais pancadas que o par mas seguramente o de poder perder as bolas que se queiram entre as giestas e os pinheiros altos. O Sebastião, que se reconhece facilmente ao longe pela silhueta abdominal, insiste que é necessário ajudar na apanha dos pinhões. Por isso não há mal em bater nos troncos com força. Os esquilos aqui jogam sem handicap.

Thursday, July 01, 2004

Do fundo do coração

...obrigado Felipão! «Será demais pedir a taça?» De que é que a gente se queixa? Agora que cê não nos deixa? (Era esta a vossa deixa) Vou apagar o post de 12 de Junho. Gregos outra vez...?

Thursday, June 24, 2004

O cemitério dos Ingleses

O Everton, recém regressado do Brasil, acha com à-vontade que vamos ganhar. «O Beckham está mais interessado em passar modelos». Depois, o ilustre interlocutor da reunião da tarde tinha que presidir a uma Assembleia Geral precisamente na localização supra referida. Por mim, acho que vamos ganhar com falta de fair-play: em fora de jogo, penalty ou falta mal marcada, tudo serve. O pior é se não...

Wednesday, June 23, 2004

Eu acredito

Dizia o cartaz no meio da bancada no fim de semana. Depois de uma passagem pelo apoio ensurdecedor dos adeptos ingleses, anseia-se por uma festa igual, mas agora para o nosso lado. Não sei quem me convidou nem quanto pagou, mas acredito que muito. Valeu a experiência. Não perguntei a quem devia desta vez. Pode-se ter fé na sorte?

Friday, June 18, 2004

Prognósticos afinal

Vamos ganhar. De fonte segura, tudo parecerá como a mais recente final, mas vai-se resolver facilmente. Solar de Serrade, um bom verde para aumentar a esperança. Uma maravilha, os lagostins de hoje.

Thursday, June 17, 2004

Minority Report

Se o primeiro milho é dos pardais, para que pássaros vai o último? Farto das sardinhas de ontem, e a precisar de um bom prognóstico para o fim de semana, o melhor seria ir perguntar ao Eduardo. Talvez os lagostins consigam prever o desfecho do próximo confronto. Em diversas ocasiões não consegui ver até ao fim o filme do Spielberg. Não sei se valerá a pena ou se entretanto adivinho como conclui. E já agora, outras perguntas. O Vintage Dalva 2000 já não está como dantes? E como estará o de 1997 que iremos beber proximamente? E a nova carrinha Jaguar é uma boa oferta para uma senhora? Mais apropriada que uma da Volvo? Perguntas difíceis e com resposta adiada. Parece que afinal o almoço é hoje no último piso do Corte Inglês. Prognósticos só para depois.

Wednesday, June 16, 2004

A carta

Foi finalmente publicada na edição da Revista deste mês. Tinha sido enviada juntamente com a opinião de dois dentre os três mais cotados especialistas nacionais da matéria. Com pena, apenas o enunciado da questão foi para o prelo. Parece que afinal foi premiada mais pelas possibilidades que abria ao editor de responder com brihantia do que pelo conteúdo informativo do que no seu texto continha. De todos os modos, dava razão a todas as partes.

Saturday, June 12, 2004

As Bandeiras

Começaram as contas da esperança. Depois, quem sabe, restará a saudade. Dois anos e várias derrotas depois de contratar um brasileiro com nome italiano e altivez argentina, acreditámos que torcendo muito jogávamos bem. Dizem os responsáveis da nação que vencemos pelo menos a batalha da organização. É um progresso civilizacional. Melhor do que reclamar a vitória moral.

Tuesday, June 08, 2004

Jacarandás

Uma semana fora e já as melhores árvores de Lisboa floriram e cobrem os passeios de cor lilás. Descendo a 5 de Outubro nesta época fica-se com pena que acabe depressa. Mas nada se compara com a minha visão matinal ao longo das Descobertas, a caminho do escritório, com o rio ao fundo. As sardinhas do almoço acompanhadas com Soalheiro estavam óptimas, eram grandes e gordas. Teremos este ano uma boa temporada de lota?

Sunday, June 06, 2004

Dia D

Milhares de papoilas cairam ontem sobre a costa da Normandia, ao largo de Caen, em comemoração dos 60 anos do desembarque para reconquista da Europa. «Por cada pétala uma vida, por cada vida um coração em busca da liberdade». Seguem-se as comemorações em Arromanches, na praia rebaptizada para aquele dia como Omaha e que recebeu as vidas de mais de 9 mil americanos. Em directo, o príncipe, também ele já um veterano, saúda os combatentes de então, e dá sentido à memória daqueles que não sobreviveram e em cuja honra se usa a flor na lapela. Simbolicamente plantou uma árvore e inaugurou um jardim.

Friday, June 04, 2004

A hierarquia

Ontem foi dia de reunião com o novo titular da pasta. Ainda não o conhecia pessoalmente. O mesmo porte, a mesma postura, e boa atitude da elite do conselho. Alguns conhecidos da metrópole chegaram depois à sala de espera, para reunião posterior. À saída, todos conversámos sobre o novo meio de transporte rápido que brevemente será entregue e que dará para transportar mais do que as doze pessoas do que o actual, com maior rapidez e comodidade. Já a reunião com o outro colega ao fim da tarde, entre bebidas no hotel, foi menos cerimoniosa. Velho amigo e de longa data. E sabia imenso de futebol. De ambos se diz que quando o chefe sai, fica um ou outro a tomar conta das coisas. Até porque é que o Baía não devia ir à selecção. Tem mais sorte que eu e estará no Porto na inauguração do Euro. Não me recordo se confirmou também que o Mantorras tem pelo menos mais dez anos do que aquilo que diz. Recordo sim, passado este tempo que terá sido o desgraçado café que tomei por distração da conversa na sala de espera da reunião da manhã que me terá condenado a bifes grelhados e maçãs cozidas para o resto da estadia.

Wednesday, June 02, 2004

O Acordo Verbal

«Tens capacidade para isso?» É que não havia mesmo necessidade de apreender o nosso jipe só porque os documentos do aluguer tinham ficado esquecidos em casa de quem conduzia. Afinal tudo se regularizou entre amigos, não antes sem a autoridade esclarecer que para nos darmos como tal tinha primeiro de lhe «apertar o pescoço». Naturalmente, amigos sim, mas contas à parte... «Não chega, pede aos cótas, que eles têm dinheiro».

Tuesday, June 01, 2004

A ilha dos Padres

Um dia gostaria de saber que peixes se podem pescar em frente à antiga missão ocupada nas recentes décadas por fuzileiros. Uma manhã inteira não chegou para pescar nenhum... O Ezequiel, um ilhéu pacato e que conduzia bem o barco, não comprovou aquilo que o seu aspecto prometia. É certo que por ele teríamos ido para mar alto pescar barracudas, mas os receios da distância e do enjôo reduziu a aventurosa tentativa aos canais das águas interiores entre as ilhas. Sem estrear sequer as canas, a jornada ficou-se por uma almoçarada à beira mar ao som dos Juluka, um grupo da moda sul-africano e pela passagem pelas urgências da clínica médica para uma vacina contra o tétano por culpa de um anzol espetado no braço.

Monday, May 31, 2004

A barra do Kwanza

70 km a sul da capital desagua por entre mangais o rio que atravessa o país. O passeio até lá atravessa zonas muito povoadas e pobres até chegar à secura exemplar da plataforma africana, com o Atlântico bravio a enrolar-se em praias desertas a perder de vista. No cimo de um morro, e a convite de um conhecido empreendedor, juntava-se um grupo acidental para saborear uns camarões grelhados com Möet Chandon e umas tiras de carne grelhada jugosa acompanhadas do bom Tapada de Coelheiros tinto. Em redor, espraiava-se a mancha verde do delta do rio naquele que será o futuro lugal de um hotel ao estilo dos Private Game Reserve Sul Africanos. Enquanto o «Ambassatore» explicava a relação entre o país dele e este, remontando ao século XVII (!), ouvia eu os relatos do jovem casal que partihava a boa amizade comum com o Pe. Oliveira, que os tinha casado no Verão passado e que conheciam de outras circunstâncias - ou guerras, como costumaria dizer-se. Depois de atravessar os imbondeiros milenares em estradas rasgadas na passada semana, seguindo as impressões de quem lá estivera há 30 anos, confirmo que por aqui, e no que a este rio respeita, a natureza manteve-o alheio à intervenção do bicho homem.

Friday, May 28, 2004

Os Argonautas

Depois de Viena, Sevilha e Gelsenkirchen (que raio de nome!) espalhamos jogadores de futebol e algum que outro treinador pelo mundo. Desde que os autocarros de Londres tiveram o Figo a todo o tamanho por conta de qualquer patrocínio comercial, a representação externa portuguesa deixou de se fazer pelo Eusébio, o fado e etc. Agora resta ver se por cá somos capazes de a partir de Junho enviar descobridores do novo mundo do desporto televisionado à custa de quem se anima com este passatempo. «Navegar é preciso...», como canta o Caetano. Por mim, recordo ter visto o Manchester dentro de um hotel nas margens do mar da Irlanda, o Lyon na costa ocidental de África e o Corunha fechado no quarto do Four Seasons de Georgetown. Cosmopolita, não é?

Thursday, May 27, 2004

O Princípe Cor de Rosa

E viva o Porto! Dezassete anos depois, desta vez não fui à baixa, mas recordo bem que nesse ano, em cima da estátua da Praça dos Restauradores estava um homenzinho bem passado que repetia o gesto do calcanhar do Madjer, gritando «Toma!...». Este foi agora um jogo ao contrário do que nos costuma acontecer, do qual nem sequer teríamos a vitória moral. Apenas o prazer de ver a realeza mundana irritar-se e abandonar o assento da tribuna. Tão divertido como subir às estátuas.

Tuesday, May 25, 2004

Delirium Tremens

Os elefantes cor de rosa do rótulo e dos copos a condizer identificam a melhor cerveja do mundo, sobretudo depois de se beber até ao fim. Deixa mais saudade do que a Duvel, outra favorita, igualmente memorável. Depois de um aperitivo com os ditos elefantes - no rótulo há também umas pombas douradas a voar em desiquilíbrio e uns crocodilos de óculos escuros - o Reserva Douro da Sogrape não se notabilizou. Tenho que voltar ao Pallazzo em Bruges. A Rainha de Inglaterra é fã dos Abba?

Monday, May 24, 2004

O Eduardo

«Vai ser difícil..., vai ser um jogo como o do ano passado...». No Ramiro, a marisqueira da Almirante Reis que fez furor nas reportagens das televisões sobre a Expo 98, quem nos escolhe o marisco é um portista ferrenho, daqueles que pagou o preço que a Cosmos pedia pelo programa completo para ir à final da Alemanha logo no primeiro dia. O ano passado também foi a Sevilha. Normalmente acerta nos prognósticos dos jogos enquanto escolhe os lagostins. Desta vez torceu bastante o nariz. A coisa está preta, parece-me.