Monday, April 25, 2005

Sir Francis Man

Na Boca do Rio Arade em Portimão a água fria não metia medo a quem gosta do mar. Depois da velocidade em frente das rochas para testar o vento, valeram algumas curvas dentro do pontão para ver se era mesmo este. Era. Só faltava discutir o preço.

Friday, April 08, 2005

A Diva

Estava cheio afinal o Casino para ouvir cantar a Ute Lemper. Para alguns era mesmo para a ouvir cantar. Para outros, era mais uma vez para falar e socializar. A «miss legs» do Chicago que tinha visto em Londres há meia dúzia de anos continua em óptima forma, bem disposta e com simpatias para o público. É um gosto ouvi-la e vê-la em palco. Valeu a pena. No final, o público pediu ouvir o La vie en rose em vez do Youkali. Já tinha cantado, e bem, o Sarabaya-Johnny, a pedido de um só espectador entendido.

Monday, April 04, 2005

O Aniversário

Faz quatro anos, mais coisa menos coisa, que tinhamos passado pelo Hotel de la Cité em Carcassonne. Agora, o Chef está por cá, no Hotel da Lapa, para uma semana de degustação. O foie estava excelente e o carré também. Faltou apenas o minervois para acompanhar. A sobremesa superava a imaginação, com crepes de rebuçado cristalizado recheados com sorvete de maracujá sobre queijo branco. Já por ocasião da Páscoa de 2001, o passeio pelo Languedoc e pela Provence tinha permitido a prova de muitas coisas boas. Arles, Aix-en-Provence, Avignon e todo o Luberon têm uma luz especial nesta altura do ano. E muito melhor culinária e vinhos que a Irlanda do ano que lhe antecedera. Mas poucos e fracos campos de golfe. De todos os modos, sempre é melhor do que passar todo um jantar à conversa com o escanção do hotel.

Saturday, April 02, 2005

19:37

Morreu um dos Grandes do nosso tempo. Por teimosia de um amigo, que teimou em ir vê-lo no Domingo de Páscoa em Roma, acabei também por vê-lo ao longe, na janela habitual sobre a Praça de S. Pedro depois da missa. Em poucas palavras e com humor falou então em castelhano para a grande maioria dos presentes. Depois choveu e fez sol, e a visita ficou completa. Foi em 99. Mas a recordação aviva-se agora. Mudou o Mundo e o Mundo mudou com ele. Seguiu os passos de Cristo. Sempre. Totus Tuus.

Tuesday, March 22, 2005

«Hasta siempre Comandante»

Não foi em homenagem ao ídolo guerrilheiro desaparecido em 67 mas apenas para almoçar servido pelo D. Celestino que herdou a Casa Fandiño que se viaja hoje por Allariz. Desta vez foi necessário esperar para depois fazer as pazes a bem. O caldo galego, o polvo à feira e o cabrito não têm igual. O Martín Codax e o Hacienda Monasterio na altura também não. E mais coisas ainda vieram. De sobremesa vieram castanhas em molho de laranja (e esta?), pudim da casa e tarte de queijo no forno. Até os licores de ervas fabricados na antiga farmácia da rua ao lado da praça valeriam a viagem. Esperemos voltar antes que passe mais um ano, como desta vez.

Monday, March 14, 2005

You may be lucky but you have to be good

É a regra da vida. Dá muito trabalho ter sorte.

Sunday, March 13, 2005

O paraíso não está a Sul

Sete horas, todos os jornais e uma pilha de revistas depois, cá estou outra vez. Já só faltam mais dezassete. Com o céu descoberto, vi os Atlas, o Sahara e outros desertos, li sobre o optimismo e o pessimismo, a mulher do Tony Carreira (a sério!), o Sideways, dez cidades a visitar em Espanha nesta Páscoa, o novíssimo mini iPod, a Eva Herzigova, as comendas femininas atribuidas pelo Presidente e ainda a moderna fractura digital nas economias subdesenvolvidas. Parece que três quartos da população mundial já vive em zonas cobertas por redes telefónicas móveis. O pôr do sol à medida que se aproxima o destino por cima das nuvens trouxe a saudade de uma visita às regiões setentrionais do globo e a vontade de procurar uma aurora boreal nas terras altas da Escócia ou nas costas escandinavas.

Thursday, March 10, 2005

A lista

À volta de uma lampreia na Tasca do João perdoaram-se afinal as vezes sem conta (192?) que foi necesário dar a volta ao tacho para encontrar e distribuir os últimos pedaços da dita. Por alguns referenciado como o Papa pela sua autoridade na receita do Minho, faz desde há muitos anos o arroz como ninguém. Menos pública é a sua atitude para com o Mourinho. Mas no que toca ao prato que o celebrizou, ninguém o condenará como a Sócrates. Depois de nos explicar que já não havia mais, olhou à volta e pensou que tinha sido mal empregue o verde tinto. Também não sairia da boca dele o mote grotesco inspirado na aguardente envelhecida da mesa do lado: «Para aqui não entram caceteiros nem se receita tomar xanax». Lá estaremos para confirmar.

Wednesday, March 02, 2005

- 4º

E meia hora de atraso. Depois das reuniões, alguém me meteu dentro do Palácio de Exposições. Um senhor grande com um cartão de Berlim até me ofereceu um carro em miniatura. Dois ingleses mais novos vestidos de igual comentaram comigo a estrutura do carro, os calendários de produção, as opções possíveis e até ajudaram a escolher as combinações de cores, insistindo para a visita à fábrica, a uma hora de Manchester, para a configuração final. Desde o emerald black ao black saphire, com diferentes interiores mais claros ou mais escuros, fica-se a saber que já não há cores simples nem chega dizer que se quer um metalizado de tal. Também já não há brochuras nem catálogos. Vem tudo em CD. As meninas ainda não são em formato digital.

Wednesday, February 23, 2005

Degusto

Com ou sem sotaque, este é um lugar de escolha certa. Para lá das influências italianas - a noite também não permitia grandes entusiasmos com os italianos - é o sítio certo para jantar bem e beber melhor. A equipa que se sentava a lado, mais exímia nisso do que no que tinha feito na relva do estádio um pouco antes, também comeu e bebeu com bom critério. O Chryseia 2003 será o melhor vinho português dos próximos tempos, diz o anfitrião. É o melhor de sempre, acho eu.

Thursday, February 17, 2005

«Mo Cuishle»

Há 12 anos que lhe vejo as estreias. Quem o viu saído dos anos 60 como cowboy na aridez do Oeste e depois, nos 70, convertido em polícia maniqueista de San Francisco estaria longe de adivinhar a carreira de relator fiel da condição humana. Filmou a frieza da morte em «Unforgiven» e a capacidade paternal de um cadastrado em «A Perfect World». Agora atacou a complexidade da vida e a simplicidade da eutanásia. Não vai passar sem crítica. Mas mais uma vez deixa uma marca.

Friday, February 11, 2005

72 horas

Nunca tinha estado tanto calor. Às quatro da tarde, na plataforma do aeroporto estariam para cima de 40 graus. Na sala de espera, enquanto me carimbavam o passaporte, não havia ar condicionado. No dia da assinatura houve ar condicionado na sala enorme acabada de estrear e até fotografias para cumprir a tradição. Só faltava a gravata do director-geral que assinava do outro lado da mesa. Não era precisa, porque era Sexta-feira. De regresso ao aeroporto, as malas passaram pelas máquinas que apitavam mas não estava ninguém para ver. Também não era preciso. Outra vez na sala de espera. Afinal, o ar condicionado funcionava. Tinha era que ser ligado. Depois o embarque, a recepção com flores no avião, o regime e alguns governantes na fila da frente. O comandante desceu para cumprimentar os passageiros, a quem tratou com familiaridade. Estariam 13 graus à chegada. Nada mau.

Tuesday, February 08, 2005

Os três porquinhos e o lobo bom

Quem atacou o almoço partilhado de Terça-feira de Carnaval sabia bem que ali mesmo, no Gradil, sobrevivem protegidos alguns exemplares do lobo ibérico. E que a história dos três porquinhos cabe mais a quem passa pelo aeroporto a caminho do hemisfério Sul. E, já agora, que com grande surpresa, na sala de espera da executiva há panfletos de promoção do mesmo lobo ibérico do Gradil. E, para finalizar, que o frio que a alcateia passa sabe melhor que o calor das cabines do avião.

Tuesday, February 01, 2005

O Hotel

Quem serve o Herdade do Perdigão Branco Reserva 2003 e o Má-Partilha 2000 a copo, merece a fidelidade dos clientes para o buffet do almoço. O halibut e o salmão estavam excelentes e acompanhavam bem o branco. Também o cherne em molho de limão e alcaparras com bolhinho de tomate e cebolinho. Depois, e para surpresa pessoal, acabei por repetir a pintada. Todos os doces mereceram a prova final, e a Maria, que já trabalhou no Alfonso XIII de Sevilha antes de ser importada para cá, acabou por fazer as despesas adicionais da conversa. Faltou o bread and butter pudding de vezes anteriores. Fica para a próxima.

Tuesday, January 25, 2005

Não havia necessidade

Mais vale uma lampreia na mão do que umas perdizes a voar. Sobretudo se for bem regada, desta feita com uma Reserva da Quinta de Roriz 2000, para tirar teimas. Quando as perdizes finalmente aterraram na caçarola, tinha-se passado para o Quinta dos Quatro Ventos outra vez. E depois não queremos fazer dieta... Ah!, e antes que me esqueça, o Vintage 2000 da Ferreira também estava bom. Aliás como todos os desse ano. E mais palavras para quê? O desempate da conta favoreceu os da casa, em honra dos de Carção.

Saturday, January 22, 2005

A Quinta de Roriz

O Sr. Silveira estava à nossa espera como combinado e acompanhou-nos pelas instalações da Quinta. Tinha preparado por indicações da Senhora Doutora a prova do tinto reserva de 2001 e do vintage de 1999. Ambos impressionantes, embora o tinto lutasse contra a temperatura fria do dia. Ganhou o vintage a preferência das provas. Um vintage entusiasmante, dos melhores que tenho memória. Animados pelas descrições das vinhas e dos trabalhos da vindima não sobrou muito na garrafa. O caminho de descida para a Quinta só por si já tinha valido a visita, e mesmo sendo apropriado para um todo terreno, fez-se bem com um carro vulgar. A subir, e depois das provas, fez-se ainda com menos preocupações. Os vinhos da Quinta estão no bom caminho da qualidade e vão continuar a merecer prémios como os que têm tido em anos anteriores, a ajuizar pela boa crítica que tenho lido. Vontade não falta de voltar para a época das vindimas. Quanto ao resto do programa do dia, e pela parte que se pode contar, depois de descer ao Pinhão, foi boa a posta de vitela maronesa no Vintage House. Mas memorável mesmo foi a sesta retemperadora que se seguiu à missa do Pe. Meireles antes do jantar da confraria.

Thursday, January 20, 2005

A lampreia

Love it or leave it, não há meio termo. Esta, a primeira da temporada, estava excelente. Nem vinagre a mais nem sabor a menos. E condizia às mil maravilhas com o Reserva da Quinta dos Quatro Ventos 2001 das Caves Aliança. Por acaso, um grande vinho, emparelhado com os melhores da nossa produção. Quem diria. Dos produtores de Sangalhos. Para a próxima semana ficaram agendadas umas perdizes das sérias. Mas se houver dúvidas sobre a autenticidade das mesmas, penso que me refugio outra vez na lampreia, que agora parece que há todos os dias, mesmo sem que o senhor da Casa Gallega saiba que muito provavelmente vêem de viveiros franceses e não dos rios da fronteira minhota.

Wednesday, January 12, 2005

A corte celestial

Sentaram-se ao fundo, em mesa redonda, sobre as árvores do Parque. Não faltava nenhum dos antigos. Levantavam-se em cerimónia coordenada para a mesa dos salgados e, no fim, dos doces. Qual deles faria anos? Cumprimentei apenas um, a quem devo muita estima, e que retribuiu os cumprimentos. Não o via há muitos anos e a idade passara para todos. De todos recebi lições, e de algum deles até fui Assistente. Ali, na clássica grande sala de jantar do Ritz via-os agora como dantes no Anfiteatro 1. Longe e equidistantes - de mim e dos demais pares.

Thursday, January 06, 2005

«Queria aqui dizer, faz favor...»

38. Afinal não tive que vender o meu carro para pagar a conta do almoço. Mas foi por pouco. Quase tive de convencer o escanção a abrir falência também. Alión 2000, para acompanhar o prato principal. Uma novidade, que vem referenciada como das mais cotadas añadas da casa. E para terminar um Vintage 2000 da Ramos Pinto. Tudo em copos e também serrviço a condizer. Ainda vou ter que optar por um familiar em vez de um carro a sério como deve ser. Logo hoje, que se receberam as primeiras propostas.

Sunday, January 02, 2005

Chuva quente

Terá sido também a Iemanjá que enviou a chuvada que me apanhou no meio do buraco 5. A paragem forçada dentro do carrinho não estragou o bom score de todo o percurso. Estava era longe de prever que o dia de amanhã viria a ser de dilúvio. Uma molha completa, da saída do hotel até à entrada no avião. Com uma banda de trompetes e tambores e um grupo de capoeira à chuva para despedida, em frente ao avião, na placa do aeroporto. Depois, de Congonhas para Guarulhos a correr, esqueçem-se as saudades mas não a vontade de regressar. Até para o ano, talvez.

Saturday, January 01, 2005

Iemanjá

A adorada musa dos ritos baianos encheu-se da abundância da nossa festa com flores brancas e taças de espumante francês. O espectáculo de fogo de artifício durou por muito tempo. As rosas terminaram no mar com desejos formulados e os tambores regressaram da areia para mais um espectáculo de percursão no pavilhão do jardim. A areia branca molhada passava dos tornozelos. Cumpriu-se mais um ritual da «virada». Faltaram as romãs de anos anteriores. «Nossa, a comer tanta romã, você vai virar milionário...» disse-me uma senhora de São Paulo na festa anterior.

Friday, December 31, 2004

Ocean Course

«Joga tranquilo, Seu José» dizia o Reinan a quem começava o percurso. «Hoje vai ter sorte». «Vai jogar bem». Mais filosófico, o responsável do campo acalmava a irritação dos jogadores com a enigmática afirmação de que o sucesso vem com a acumulação de erros. Tranquilo... As melhores sombras da região estão por debaixo das palmeiras no meio deste fairway. A areia é toda branca e ao fim do tarde a linha do litoral perde-se de vista com o espumar das ondas. E todo o mundo tem «bolinha», a dois reais. «Seu José, olha aqui meu presente de ano novo pra você - pra botar no Audi...» No Audi?

Wednesday, December 29, 2004

O Samba nasceu na Baía

A Dadá dá cabo da gente. Responsável por um marco da restauração do Pelourinho, encarregou-se de me levar de braço dado pelo bufett enchendo-me o prato com as sugestões dela mesma. Não faltava nada, tudo em nomes a condizer. Impossível relatar. Sobretudo pela morrinha trazida da picanha repetida debaixo das palmeiras na praia e das caipirinhas tomadas ainda antes de sair da areia. Não fosse isso e a noite teria ficado para a história. Acabou por ser original, com direito a dormir com a Simone a cantar ao lado de viva voz. Venceu o sono do dia começado de madrugada ainda noite escura em São Paulo.

Thursday, December 23, 2004

«O Augueiro»

Morreu o Cindo. Deu-lhe uma dor forte mas em vez de ir ao médico, foi para a feira. Lembro-me vagamente dele ainda do tempo da feira do gado em que juntamente com o pai vendiam as vacas mais famosas da região. Hoje a feira do gado é pequena e o mercado antes do Natal tem pouca expressão. Mas sobrou o Hostal dos boeieiros, em frente às Águas de Sousas, tal como era no tempo do gado que pelo meio do Larouco era levado para Padornelos para trabalho e criação. Hoje, já menos de metade dos comensais come com a boina galega na cabeça e alguns nem sequer comem a carne de vitela ou o polvo à feira. Eu comi o polvo com batatas, em tudo igual ao polvo das tábuas, mas servido em cima de batatas cozidas com azeite e pimentão picante. Com uma garrafa de Ribeiro Viña Costeira ao lado, estava melhor do que me lembrava que podia ser. Foram duas travessas.

Wednesday, November 17, 2004

O Onze Perfeito

Ao cimo do Parque.

Saturday, November 06, 2004

«Flor Preservada»


Colho, maravilhado,
A flor do teu sorriso;
E tudo à minha volta
Se transfigura:
O céu é um mar azul onde navegam aves;
E as montanhas, suaves
Ondulações
Do grande berço maternal do mundo.
Perturbado,
Confundo
As sensações;
E apenas sei que a vara de condão

É o sol de pétalas que me aquece a mão.

Miguel Torga, in Diário VIII, 16 de Outubro de 1958

Monday, November 01, 2004

O Chefe Inglês

Tirar um dia de férias em trânsito em Londres merecia melhor sucesso. Desconfiei da marcação telefónica com sotaque italiano ou outro que me informou que não necessitava de gravata mas deveria usar casaco. «You do not need to worry», foi o que me ocorreu. Quem não me conhece não sabe dos meus hábitos. Almoçar no novo restaurante do Gordon Ramsay no Claridge era o que me levava a esperar por uma conexão tardia a partir de Gatwick. Pois parecia uma anedota dos tempos de escola - um chefe inglês, serviço francês e organização italiana. Ninguém me mandou almoçar sozinho. Vou esquecer os pormenores por decoro. Mas nunca tinha estado em restaurante tão sofisticado em que os gritos de ira do chefe atravessassem a copa e chegassem em bom nível ao fundo da sala de jantar. Em suma, muita parra, pouca uva. Não ficou gorjeta. Para esquecer só mesmo o meu stand favorito na Berkeley Square, um quarteirão abaixo.

Saturday, October 30, 2004

Trabalho de casa


Não saibas: imagina...
Deixa falar o mestre, e devaneia...
A velhice é que sabe, e apenas sabe
Que o mar não cabe
Na poça que a inocência abre na areia.

Sonha!
Inventa um alfabeto
De ilusões...
Um a-bê-cê secreto
Que soletres à margem das lições...

Voa pela janela
De encontro a qualquer Sol que te sorria
Asas? Não são precisas:
Vais ao colo das brisas,
Aias da fantasia...

«INSTRUÇÃO PRIMÁRIA»
Miguel Torga in Diário IX (18 de Abril de 1962)

Friday, October 29, 2004

Outra vez

De regresso às provas, calhou agora o Esporão branco Private Selection. Uma óptima surpresa. Com 14 graus e sabor a fruta doce, as duas garrafas a acompanhar o linguado frito à basca foram um exagero. Tal como o foi o Quinta do Noval Vintage 2000 a terminar. Muito melhor que o Silval 2000 provado há questão de dias atrás. Este Noval «sabia a morcela»? Era óptimo, e com a surrealidade que invade o quotidiano, tanto dá. A conta, essa sim, da terceira dimensão, parecia incluir o valor do trespasse do estabelecimento.

Wednesday, October 27, 2004

A prova

Não deveria ter acontecido. Almoçar sem qualquer razão com um Vale Meão de 2001 não deveria ter acontecido. Ainda por cima com um pregado frito com açorda de ovas. Mas fica a confirmação: é o melhor da praça. Mais uma prova na primeira oportunidade, de qualquer maneira, não irá fazer mal a ninguém. Quod abundat non nocet.

Tuesday, October 26, 2004

Ballad of the fallen

A Carla Bley salvou-me a noite de ontem. Envelhecida mas com a mesma aparência de sempre. A banda tocou meia dúzia de temas que passavam pelo «Amazing Grace» e terminaram com o Samuel Barber. Há dez anos, por ocasião da renovação do Tivoli tocou cá em Lisboa em grande estilo com a sua própria banda. Nem a filha conseguiu então estragar-lhe o concerto. Ontem quem lá estava mesmo era o Charlie Haden com a sua gente (incluindo o Bill Frisell?) e no final ondulou a faixa da Liberation Music Orchestra. Trinta anos depois dos 70. Em 2004, ao que parece numa zona tradicional agrícola de França.

Thursday, October 21, 2004

Umas crianças

É o que todos somos, afinal. No Terreiro do Paço, com a nova governação, não se lamenta a anterior gestão. A ementa recupera a antiga carta do chefe e difere das anteriores no mesmo local. O peixe galo estava óptimo e até o Sauvignon Blanc dos Lavradores de Feitoria ia bem a acompanhar. Saudades tenho das sobremesas da Bela Vista, sobretudo do pudim de ovos envolvida em folha crocante. Já quanto ao Presidente da Comissão, não sabe nem ao que vai. Somos todos da mesma idade. A que tínhamos à entrada da Faculdade.

Friday, October 15, 2004

It's good to be the King

O segundo Vale Meão ainda era melhor que o primeiro. E mantinha à distância o Syrah de 97 do José Bento dos Santos que mal serviu para aquecer. Para já não falar do branco da Borgonha que ficou apenas para as Senhoras. O Meão de 2000 não se confunde e continua a ser o campeão dos novos. A carne rendeu-se. Depois veio um creme de maracujá e bolo de laranja. Balvenie de 21 anos envelhecido em cascos de Porto, a música da Eliane Elias e a projecção em grande formato de um DVD com vozes da Concord. Não regresso sem programar a viagem com uma volta por Capetown, com ou sem passagem pela Namíbia.

Wednesday, October 13, 2004

The extra mile

O Armando João tem por missão não deixar que os investidores percam tempo antes de assinar os compromissos que anunciaram cumprir. Os papéis lá estavam prontos para assinar em cima da mesa à minha espera. Mesmo com uma quebra de energia a meio da reunião, reiterou o empenho quanto aos investimentos. Um novo modelo de obras públicas, com o patrocínio do Director Geral.

Sunday, October 10, 2004

Regresso

Foi necessário cá voltar para regressar às crónicas. Na bagagem para companhia vieram alguns episódios do Black Adder e algumas novidades de música recente. O Ben Harper com os Blind Boys of Alabama, pelas afinidades. Também o Nick Cave com os Bad Seeds. Esqueceu-me o último do Jarrett na aparelhagem de casa. A vida continua. «All is in the game».

Monday, July 26, 2004

Colegas

O sotaque do encarregado do restaurante do hotel não enganava. Tinha sido, afinal, meu colega de liceu. Agora, depois de viagens por vários restaurantes e hotéis do mundo, ficava-se por aqui e mostrava fotografias dele, da mulher e até de amigas locais para ver se eu me lembrava de quem ele era. Melhor história só a do passaporte perdido por ter caído para dentro da mala e esta se ter fechado no check-in. Há gente para tudo em todo o lado.

Saturday, July 24, 2004

Cabeças pequenas

A rapariga da loja do hotel só aceita notas de dólar com as cabeças grandes. As outras não. Nem o correspondente em Washington que coincidia no almoço em casa de bons amigos sabia bem porquê. Estava a caminho de férias perto de Lisboa, mas ainda ficará por cá para dar mais uns cursos de jornalismo durante a próxima semana no interior do país. Apesar do almoço com muitas especialidades diferentes e óptimos vinhos sul-africanos (na próxima viagem vou tentar regressar por Capetown e visitar as regiões viticolas) continuo a tentar o inverso do que predestinava o velho Deodato para quem as viagens serviam apenas para regressar com menos dinheiro e mais uns quilos.

Thursday, July 22, 2004

Back to business

Outra vez por cá. Agora para saborear umas alfaces cultivadas na zona, um mero frito com banana também frita e abacates batidos com sabe-se lá o quê. E lagostas, como de costume. É Inverno e está fresco à noite, agradável durante o dia para quem cumpre o protocolo ocidental do vestuário. Reuniões com salas cheias, relatórios e mails, em suma, compromissos para todo o Verão que começa com o vôo de regresso. Os americanos ofereceram pizzas e coca-colas a todos os nossos trabalhadores. Não dá para acreditar.

Monday, July 19, 2004

Sotogrande

O escaldão do sol do meio dia não perdoa. Mas não havia escolha. Era o campo ou a piscina. Sim, porque o Spa... Já bastaria depois a noite, na marina em frente aos barcos, com os veraneantes dos nossos dias a passear, para encerrar o fim de semana. Em suma, foi um shot de férias: companhia, kilómetros de distância, boa gastronomia, umas tacadas e tempo bom ou mau ou diferente.

Saturday, July 17, 2004

Hacienda Benazuza

Às portas de Sevilha, em Sanlúcar la Mayor, come-se o melhor jantar de toda a vida. O La Alquería integra-se no hotel que em séculos idos foi convento e agora alberga em estilo andaluz com jardins mouriscos os hóspedes que o podem pagar. Trata-se de uma experiência derivada do sucesso do El Bulli a norte de Gerona e serviu para colmatar a falha de há precisamente um ano, quando a minha reserva no restaurante do Mestre Adriá me foi recusada durante mais de um mês sem descanso para o período da minha estadia em Peralada. Pois desta vez, para desforra e sem hesitações, escolhemos o menú de degustación. Ainda hoje não sei ao certo o preço por pessoa. Quanto à ementa, parei de contar e de memorizar quando veio o melão grelhado, a que se seguiram a santola com horchata de trufas, ou as migas com trufas de verão, ou o atúm gratinado com maionaise do próprio atúm, já não recordo. O ritmo do serviço fez-me perder a memória dos pratos principais e da sequência de entradas, e ainda bem que de manhã pedi que me imprimissem a lista do menú, onde finalmente contei as vinte e quatro linhas da ementa. Recordo sim a gelatina de água de tomate com melancia e espuma de salsa (será possível?) e o atrevimento do chefe que decidiu por sua conta saltar o pré-postre e mandar-nos para a zona da tenda árabe da piscina, onde já não cheguei depois de passar no jardim com camas espalhadas a coberto das copas das árvores baixas. No dia seguinte, comer os montaditos da praxe no Pátio de San Elói foi como continuar a jornada pela Andaluzia trocando um confortável Bentley por um velho Land Rover daqueles que aquecem e gripam os motores. Por falar em Bentley...

Wednesday, July 14, 2004

Mais uma vez o Novo Mundo

O Tapada do Barão 2001, do Monte dos Perdigões é um ganda vinho tinto! Nem precisava do acompanhamento da paletilha de cabrito de leite para se valorizar. Tudo por recomendação do sommelier do sítio do costume. Não há já paciência para os vinhos minerais, ácidos, pretensamente com «terroir» e leves. Quem quiser, que beba água. Também há outras preferências plenamente justificáveis e defensáveis, como por exemplo as dos entusiastas dos encierros de San Fermin em Pamplona que durante dois minutos e meio tentam salvar a pele correndo no meio dos touros. Se o Zé, empregado do Padre Augusto em Padornelos visse na televisão as imagens do fim de semana, diria com certeza: «Ele, há-os!»

Monday, July 12, 2004

Velhos Amigos

Eram 146 no total. No início parecia que se tratava de uma outra festa, ou de outro curso, ou de um engano da convocatória. Não. A multidão de desconhecidos na varanda do restaurante em Monsanto era a mesma que muitos anos antes estava sentada nas bancadas ou no escadaria dos auditórios da Faculdade. A Clássica, como na altura todos lhe chamávamos. Ao meu lado, uns magistrados, um apresentador de televisão, outros menos familiares, uns mais velhos ou mais gordos, ou casados ou divorciados ou com crianças. O ciclo da vida. Mais violento foi já nesta Segunda-feira ouvir o Zé dizer que vai fechar. Com a mesma calma com que terá amealhado os ganhos da venda de todo o prédio em que se instalou durante 40 anos, está agora a vender a preço mais moderado algumas garrafas de bom vinho. Outras, as melhores, assegura que não se vão estragar. Até ao próximo dia 31, lá estará na mesma, com a família, a servir os melhores grelhados do Concelho. Depois, e em proveito da voragem imobiliária, será preciso ir procurá-lo na Linha, com vista para o mar, a gozar o resto da sua própria boa vida.

Friday, July 09, 2004

Casa Gallega

A boa cozinha deste restaurante em Paço de Arcos está a par da garrafeira com as últimas e mais notáveis novidades. Desta feita, e a propósito de um reencontro com o Quinta da Touriga-Chã (oh! «suavis anima»...) tocou a vez a umas perdizes meio escabechadas. Aqui fica, solene, a homenagem aos autores - das perdizes e do vinho.

Thursday, July 08, 2004

Crazy

O primo Júlio é uma referência da colheita de uma geração. Produz o último dos vinhos do lavrador da família, «sumos de uva» fortes e desregrados como os transmontanos da terra quente. Trata das terras de alguns amigos e parentes e foge da mulher como o diabo da cruz. Bem diferente é o Iglésias que ontem se confessou no Estoril perante uma assistência comparticipante e conivente. «Já não canto por dinheiro: dinheiro tenho a mais... e tudo o que quero comprar é barato!». O vinho do primo Júlio também não está à venda. Mas bom e barato é o novo vinho da Adega de Valpaços, que à semelhança do ano passado lançou um conjunto de garrafas pequenas de vinhos diferentes. De resto, e ao invés do que se passa nos casinos de todo o mundo, as coisas boas da boa vida encontram-se onde menos se espera.

Sunday, July 04, 2004

Venham os pardais

O Zagorakis adaptou-se como quis à nova situação. Substituiu o gato de aluguer que tinha sido enviado por senhora amiga e que não sobreviveu à pressão das amizades infantis. Deste, nem se lhe guardou o nome. A angústia foi superior. Não se libertou o suficiente do desafio e em pouco estava de novo confinado às sortes que conhecia. Já o novo campeão, não. Baptizado por respeito à sua condição estranha, reagiu com a confiança e o à-vontade de quem ganha novos títulos. Instalou-se e fez da casa nova o seu próprio campo. Só descansou depois da barriga cheia.

Saturday, July 03, 2004

A Senhora da Oliveira

O Francisco, quarto filho de bons amigos de sempre, foi baptizado no centro histórico de Guimarães. A festa seguiu nas cercanias de Braga, em Esporões, na quinta da família, com serviço à antiga, entradas para todos os gostos e o vinho verde tinto da casa engarrafado para a ocasião, para animar o ambiente. Outro vinho da família, também verde mas branco, o Quinta das Ermízias, floral, sem acidez, acompanhou bem e com surpresa o bacalhau minhoto que seguiu. No fim, os pudins e os doces de ovos atrasaram o regresso a casa.

Friday, July 02, 2004

O Parque do Palace

Não tem comparação com nada jogar no golfe de Vidago. Esquilos, árvores centenárias e este aroma das tílias ninguém mais tem. Depois, a sombra que ladeia o regato que atravessa entre muros o percurso baixo, confirma que este é um destino impar da boa vida. Desde a Páscoa acresce a melhor imperial da Europa, no recém inaugurado clubhouse que faz inveja ao acolhimento que já experimentei no Dromoland Castle na região do Shanon. Melhor, só terminando o dia com um jantar no Hotel Rural de Samaiões. Problemas como ter que terminar sozinho o costeletão para duas pessoas acompanhando com o vinho da casa não são nada comparado com o desafio dos buracos 5 e 6 do percurso de Vidago, nos quais o handicap não tem apenas o significado de poder bater mais pancadas que o par mas seguramente o de poder perder as bolas que se queiram entre as giestas e os pinheiros altos. O Sebastião, que se reconhece facilmente ao longe pela silhueta abdominal, insiste que é necessário ajudar na apanha dos pinhões. Por isso não há mal em bater nos troncos com força. Os esquilos aqui jogam sem handicap.

Thursday, July 01, 2004

Do fundo do coração

...obrigado Felipão! «Será demais pedir a taça?» De que é que a gente se queixa? Agora que cê não nos deixa? (Era esta a vossa deixa) Vou apagar o post de 12 de Junho. Gregos outra vez...?

Thursday, June 24, 2004

O cemitério dos Ingleses

O Everton, recém regressado do Brasil, acha com à-vontade que vamos ganhar. «O Beckham está mais interessado em passar modelos». Depois, o ilustre interlocutor da reunião da tarde tinha que presidir a uma Assembleia Geral precisamente na localização supra referida. Por mim, acho que vamos ganhar com falta de fair-play: em fora de jogo, penalty ou falta mal marcada, tudo serve. O pior é se não...

Wednesday, June 23, 2004

Eu acredito

Dizia o cartaz no meio da bancada no fim de semana. Depois de uma passagem pelo apoio ensurdecedor dos adeptos ingleses, anseia-se por uma festa igual, mas agora para o nosso lado. Não sei quem me convidou nem quanto pagou, mas acredito que muito. Valeu a experiência. Não perguntei a quem devia desta vez. Pode-se ter fé na sorte?